Após prisão de vereador, PSD vai ao STJ e ao MP contra Castro e Curi por suposto uso político da polícia
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Cláudio Castro e Felipe Curi
Reprodução/TV Globo
O diretório regional do Partido Social Democrático (PSD) no Rio de Janeiro informou que vai apresentar uma representação criminal no Superior Tribunal de Justiça (STJ), junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), contra o governador Cláudio Castro (PL) e o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
Segundo o partido, o objetivo é apurar um suposto uso do aparato policial do estado para perseguir adversários políticos. A legenda também informou que pretende acionar o Ministério Público do Rio (MPRJ) para investigar se houve prática de improbidade administrativa.
A iniciativa, antecipada pelo colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo, ocorre um dia após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário da prefeitura do Rio, durante a Operação Contenção Red Legacy (veja na reportagem abaixo).
Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de ter negociado diretamente com o traficante conhecido como Doca autorização para fazer campanha eleitoral em uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho.
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Seis policiais e vereador são presos em operação contra o Comando Vermelho
A Polícia Civil do RJ afirmou que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira começou em outubro de 2024, passou por análise do Ministério Público do Rio e da Justiça e foi conduzida com base em provas técnicas, sem motivação política (veja o posicionamento completo ao fim da reportagem).
O g1 entrou em contato com o Governo do RJ e aguarda resposta.
O partido do prefeito Eduardo Paes afirma ter indícios de abuso de poder, prevaricação e crimes eleitorais. Entre os pedidos que devem ser apresentados está o eventual afastamento cautelar do governador e do secretário, caso seja considerado necessário para evitar interferência no processo eleitoral.
A prisão do ex-secretário municipal e de um ex-secretário do governo estadual ampliou o embate político entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro. Os dois trocaram ataques nas redes sociais com críticas mútuas sobre gestão pública.
Audiência em Brasília
Um dos dirigentes do PSD no estado, o deputado federal Pedro Paulo Carvalho afirmou ao g1 que o partido pretende levar o caso a diferentes autoridades em Brasília.
Segundo ele, os parlamentares pediram uma audiência com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da chamada ADPF das Favelas.
🔎ADPF é uma sigla para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Trata-se de uma ação apresentada ao STF com o objetivo de evitar ou reparar uma lesão a um preceito da Constituição Federal causada por um ato do Poder Público.
“Estamos diante de uma máfia que instrumentaliza a polícia para fazer perseguição e covardia (contra os desafetos políticos) e, por isso, vamos às últimas consequências”, disse o deputado.
O que diz a Polícia Civil
"A Polícia Civil esclarece que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024 e passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, não sendo assim uma decisão de governo e sim da Justiça. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026, tendo o Ministério Público analisado e dando parecer favorável no dia 21 de janeiro. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro, com expedição em 3 de março deste ano.
A investigação foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político. Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais.
A Polícia Civil não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência. Durante uma investigação, caso apareçam provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à justiça e captura.
Por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legítima, baseada em provas técnicas."