Beija-flor 'diferente' é flagrado em MG e intriga observador: 'quase não acreditei'

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Beija-flor 'diferente' é flagrado em MG e intriga observador: 'quase não acreditei' Mineiro de Belo Horizonte, Pedro Veloso trabalha com automação industrial, mas é na natureza que encontra sua verdadeira paixão. O hábito de frequentar o sítio da família em Sabará (MG) desde a infância o transformou em um observador de aves dedicado. Recentemente, um registro feito por ele ganhou destaque e revelou um ave "diferente". 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Durante o Carnaval, Pedro saiu cedo para fotografar o estrelinha-ametista, uma das menores espécies de beija-flor do Brasil. Após horas sem sucesso, ele decidiu ir embora, mas percebeu que havia esquecido parte do tripé sobre uma pedra. Ao retornar para buscar o equipamento, veio a surpresa. "Vi um beija-flor-tesoura voando por perto, mas com uma coloração bem diferente. Na hora quase não acreditei. Fiz várias fotos e gravei um vídeo para confirmar se era um indivíduo com alguma alteração", relata. Pedro, que já estuda biologia por conta do hobby, conta que sempre teve curiosidade em encontrar uma ave com plumagem especial livre na natureza. "Tentei manter a calma para registrar bem o momento. Foi especial porque consegui documentar bem o indivíduo." Observador registra beija-flor "diferente" em MG Pedro Veloso Veja mais notícias do Terra da Gente: VÍDEO: Biólogo flagra 'exército' de formigas protegendo insetos em troca de comida CIÊNCIA: Como as cores das borboletas estão sendo 'apagadas' na Mata Atlântica INVISÍVEL: Vídeo em câmera lenta revela 'segredo' da abelha-das-orquídeas Ciência explica o fenômeno Para entender o que torna esse beija-flor tão raro, o Terra da Gente procurou o professor Vítor Piacentini, do Departamento de Biologia e Zoologia da UFMT e especialista na família Trochilidae. Segundo o biólogo, as cores brilhantes dos beija-flores não vêm apenas de pigmentos, mas de uma microestrutura de queratina nas penas que funciona como um prisma, decompondo a luz (iridiscência). Observador registra beija-flor "diferente" em MG Pedro Veloso No caso do exemplar flagrado por Pedro, Piacentini descarta o leucismo (manchas brancas) ou o hibridismo (cruzamento entre espécies). O diagnóstico é uma "aberração na microestrutura". "Por algum motivo, esse indivíduo teve um problema na estruturação dessas camadas de queratina. Ele perdeu a capacidade de gerar o reflexo azulado ou esverdeado típico do beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura)", explica o professor. Cor 'fosca' O especialista detalha que a melanina (o pigmento escuro) continua presente nas penas, mas a "falha" genética impede que a luz sofra a difração que gera o brilho metálico. O resultado é uma ave com tons rosados e acinzentados, em vez do verde e azul vibrantes. Observador registra beija-flor "diferente" em MG Pedro Veloso "É uma deficiência na construção das penas que resultou em algo parecido com um bicho que vi no Museu de História Natural do Reino Unido. A estrutura reflexiva, provavelmente por uma questão genética, não foi expressada por esse beija-flor", conclui Piacentini. Para Pedro, o registro é mais um incentivo para continuar os estudos. "A experiência em campo despertou a curiosidade de entender melhor as espécies e seus comportamentos", finaliza o observador. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/03/12/beija-flor-diferente-e-flagrado-em-mg-e-intriga-observador-quase-nao-acreditei.ghtml


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