BRB e GDF não sabem quanto valem os 12 imóveis que podem ser garantia do empréstimo do banco

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
GDF oferece imóveis públicos para captar empréstimos O Banco de Brasília (BRB) e a secretaria de Economia do Distrito Federal ainda não informaram quanto valem os 12 imóveis públicos que podem ser oferecidos como garantia para a um empréstimo bilionário a ser tomado pelo banco. Em nota, o BRB disse que os imóveis "ainda serão submetidos a avaliação técnica independente, realizada por peritos habilitados e com metodologias reconhecidas no mercado". "Nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado e pode envolver ágio ou deságio conforme o interesse dos investidores", afirma o banco. O g1 questionou a Secretaria de Economia sobre os valores dos imóveis, mas não obteve retorno até a última desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Nesta segunda-feira (23), a Terracap respondeu apenas que "o fornecimento de garantias para lastrear as operações destinadas à capitalização do Banco de Brasília (BRB) foi estruturado pelo Governo do Distrito Federal, acionista controlador da Companhia, no âmbito de suas atribuições". Projeto de lei na CLDF O projeto de lei que autoriza a oferta deve ser discutida na Câmara Legislativa nesta terça-feira (24). Ainda não há previsão para que a proposta seja levada ao Plenário da Casa. ➡️ A expectativa do governo era de já votar e aprovar o texto nesta terça, sem muito debate e com amplo apoio de aliados – a exemplo do que aconteceu com o aval da Câmara do DF para a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, em 2025. Os próprios distritais aliados de Ibaneis, no entanto, parecem ter decidido frear o andamento da matéria. A tendência é que a Casa adote uma postura mais cautelosa antes de deliberar sobre o projeto. 🔎 O governador Ibaneis nunca enfrentou dificuldades para aprovar os projetos que enviou à Câmara Legislativa desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019. O projeto de lei sobre as garantias será o primeiro texto sobre o caso BRB-Master a ser votado na Câmara Legislativa desde a operação Compliance Zero e a liquidação do Banco Master, no fim de 2025. O texto é visto como um "termômetro" sobre a situação de Ibaneis na Casa — já que os pedidos de impeachment da oposição contra o governador, por exemplo, foram arquivados pelo presidente da Câmara Legislativa com base em pareceres técnicos e sem debate em plenário. Oposição pressiona Durante as últimas sessões ordinárias de 2025 e as primeiras de 2026, os deputados distritais da oposição cobraram, de forma insistente, explicações sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Nesta segunda, o líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Hermeto, afirmou que a prioridade da Câmara deveria ser "salvar o BRB". Segundo ele, as garantias exigidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não retiram os imóveis do patrimônio do GDF – e caberia aos deputados analisar o projeto com profundidade para evitar que o banco 'seja entregue de graça ao governo federal'. Em nota (veja íntegra abaixo), o BRB afirma que os imóveis listados no projeto de lei ainda passarão por avaliação técnica independente e que, por enquanto, não é possível estimar o valor total dos ativos. O banco ressalta que sua capitalização não depende da transferência direta desses imóveis, mas de estruturas financeiras em análise no Banco Central, junto a outras alternativas como venda de ativos e empréstimos. Entenda Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 TV Globo O governo do Distrito Federal entregou à Câmara Legislativa, no sábado (21), um projeto de lei que oferece 12 imóveis públicos como "garantia" para um empréstimo bilionário do Banco de Brasília (BRB). Entre os endereços oferecidos estão áreas verdes de parques, a sede da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e o abandonado Centro Administrativo do DF (Centrad) (veja detalhes mais abaixo). O objetivo do governo de Ibaneis Rocha (MDB) é aprovar o texto ainda nesta semana. Mas, segundo o presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz, a matéria deve ser apreciada apenas a partir da próxima semana e contará com a análise das Comissões de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF), de Assuntos Sociais (CAS) e de Constituição e Justiça (CCJ). O BRB e a Secretaria de Economia foram questionadas sobre o projeto, mas não deram retorno até a última atualização desta reportagem. À TV Globo, o governador Ibaneis Rocha disse que o critério para a escolha dos terrenos foi o "apetite no mercado". Veja detalhes dos 12 imóveis oferecidos Veja onde estão 12 imóveis que o GDF quer usar como 'garantia' de empréstimo 1. Setor de Áreas Isoladas Norte (SAI/norte): área destinada à Polícia Militar do DF entre o Noroeste e a rodovia EPIA Norte, região considerada nobre na capital. Este endereço também fica próximo ao Santuário Sangrado dos Pajés — terra ancestral indígena. 2. Centro Metropolitano, quadra 03, conjunto A, lote 01, em Taguatinga: endereço do Centro Administrativo (Centrad) do governo do DF. O local está desocupado há 12 anos. Em novembro de 2025, o governo enviou um memorando para a Secretaria de Economia avaliando integrar o Centrad ao capital do BRB. Em dezembro, Ibaneis Rocha declarou a intenção de vender o Centrad, já que seria necessário investir R$ 1 bilhão para o local funcionar. 3. Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), lote I: o local é uma área de serviço público que fica próximo ao Clube da Caesb, contígua ao Parque do Guará. 4. Parque do Guará, área 29 e 30: espaço natural e com vegetação, indicada como Proteção Integral/Conector Ambiental na proposta do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT). O g1 questionou o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) sobre o uso de uma área de reserva biológica neste caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 5. Setor de Indústria Abastecimento (SIA), lote G: área de serviço público onde funciona o Parque de Apoio da Secretaria de Saúde do DF. É nela onde ficam a Central de Nutrição Domiciliar (CNUD), a Oficina de Órteses e Próteses e a Farmácia Central. 6. Setor de Múltiplas Atividades Sul (SMAS) trecho 3, lote 8: local fica próximo ao Setor Hípico de Brasília, mercados atacadistas e o Park Shopping, um dos shoppings mais movimentados do DF. 7. Setor de Área Isoladas Norte (SAIN) DEST CEB, Asa Norte: área institucional entre o Noroeste (área nobre da capital) e a rodovia EPIA Norte. 8. Setor de Habitações Individuais Sul (SHIS) QL 9 lote B, Lago Sul: área verde na margem próxima à Ponte JK, no Lago Sul — área nobre do DF. 9. Áreas Isoladas Santa Bárbara, lote 2 e áreas isoladas da Papuda, lotes 1 e 2, Setor Habitacional Tororó: área verde próxima ao Complexo Penitenciário da Papuda, parques e condomínios. 10. Setor de Industria e Abastecimento Sul (SIA/SUL) lote B, no Guará: área de serviço público onde funciona a sede da Novacap. Estes dois endereços abaixo não foram não localizados pelo GeoPortal da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do DF: 11. Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), quadra 4, lotes 1710, 1720, 1730, 1740, 1750 e 1760. 12. Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), quadra 4, lotes 1690 e 1700. O que diz o BRB “O BRB informa que os imóveis incluídos no Projeto de Lei encaminhado pelo Governo do Distrito Federal ainda serão submetidos a avaliação técnica independente, realizada por peritos habilitados e com metodologias reconhecidas no mercado. Nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado e pode envolver ágio ou deságio conforme o interesse dos investidores. A capitalização do BRB, por sua vez, não ocorre por meio da transferência direta desses imóveis, mas por estruturas financeiras capazes de monetizá-los, modelo que segue em análise junto ao Banco Central. Além dessas opções, seguem em avaliação outras estratégias para reforçar o patrimônio e preservar a capacidade de crédito da instituição, sempre alinhadas às exigências regulatórias e à necessidade de estabilidade financeira. Essas opções integram plano de capital encaminhado ao BC em 6 de fevereiro e consideram também como alternativa solução de mercado (venda de ativos); empréstimo feito por meio de consórcio de bancos e empréstimo direto junto ao FGC. Como instituição pública essencial para o Distrito Federal, o Banco desempenha papel central em políticas sociais, mobilidade, distribuição de benefícios e medicamentos, além de parcerias culturais e esportivas que impactam milhões de brasilienses. Com fundamentos consistentes e foco na estabilidade e credibilidade, o BRB seguirá fortalecendo sua capacidade de gerar resultados e cumprindo sua função estratégica no desenvolvimento econômico e social do DF. O Banco mantém seu compromisso com práticas de governança robustas, transparência na condução dos processos e a busca por soluções sustentáveis que assegurem a solidez do Banco e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.” Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/02/24/brb-e-gdf-nao-sabem-quanto-valem-os-12-imoveis-que-podem-ser-garantia-do-emprestimo-do-banco.ghtml


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