'Cápsula do tempo' na Nova Zelândia muda o que se sabia sobre evolução das aves; entenda

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Ilustração gerada por IA por Paul Scofield representa caverna perto de Waitomo há 1 milhão de anos. Divulgação/Canterbury Museum Uma descoberta em uma caverna na Nova Zelândia revelou uma espécie de “cápsula do tempo” de 1 milhão de anos — e mostrou que as aves do país já passavam por grandes mudanças muito antes da chegada dos humanos. Um estudo liderado por pesquisadores da Flinders University, na Austrália, indica que entre 33% e 50% das espécies de aves foram substituídas ao longo desse período, sugerindo que processos naturais já transformavam profundamente os ecossistemas da região. Os resultados foram publicados na revista científica "Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology". A descoberta preenche uma lacuna crítica na história natural da Nova Zelândia: um intervalo de milhões de anos pouco documentado por fósseis terrestres, considerado até agora um “capítulo perdido” da evolução local. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma “cápsula do tempo” de 1 milhão de anos Os fósseis foram encontrados em uma caverna na região de Waitomo e incluem vestígios de pelo menos 16 espécies — 12 aves e quatro anfíbios. O conjunto preserva um retrato raro de como era o ecossistema da ilha no início do Pleistoceno, período até então pouco conhecido pelos cientistas. Segundo os autores, o material representa uma fauna completamente diferente daquela encontrada pelos humanos milhares de anos depois. Um kakapo diferente — e possivelmente voador Entre os achados mais chamativos está uma nova espécie ancestral do kakapo, ave hoje conhecida por não voar. Os pesquisadores identificaram características que sugerem que esse ancestral pode ter tido capacidade de voo, ao contrário do kakapo moderno. A descoberta ajuda a entender como algumas aves da Nova Zelândia perderam a capacidade de voar ao longo da evolução — um fenômeno comum em ilhas isoladas. Mudanças antes dos humanos Até agora, o consenso científico era de que a fauna de aves da Nova Zelândia permaneceu relativamente estável até a chegada humana, cerca de 750 anos atrás, quando ocorreu uma onda de extinções. O novo estudo desafia essa visão ao mostrar que transformações profundas já estavam em curso muito antes. Como destacam os autores, houve uma “substituição substancial da avifauna no último milhão de anos”, indicando que o ecossistema era mais dinâmico do que se imaginava. Clima e vulcões: hipótese, não conclusão Os pesquisadores apontam dois possíveis fatores para essas mudanças: oscilações climáticas intensas entre períodos glaciais e interglaciais grandes erupções vulcânicas que afetaram o ambiente Uma dessas erupções, há cerca de 1 milhão de anos, espalhou grandes volumes de cinzas pela região, potencialmente impactando espécies terrestres. No entanto, o estudo não comprova diretamente a causa dessas mudanças. A relação com clima e vulcanismo é baseada em coincidências temporais e evidências indiretas. Uma peça-chave para entender extinções Para os cientistas, o achado funciona como uma base de referência — um ponto de comparação para entender melhor o impacto humano mais recente. “Essa é uma avifauna recém-reconhecida para a Nova Zelândia, que foi substituída pela que os humanos encontraram um milhão de anos depois”, afirmam os autores. Isso indica que a história da biodiversidade do país não foi marcada apenas pela ação humana, mas também por transformações naturais profundas ao longo do tempo. Metodologia e limitações Os pesquisadores analisaram fósseis encontrados em camadas sedimentares de uma caverna e usaram depósitos de cinzas vulcânicas como marcadores para determinar a idade dos materiais. Esses depósitos funcionam como “carimbos geológicos”, permitindo situar os fósseis entre cerca de 1,55 milhão e 1 milhão de anos. Entre os pontos fortes do estudo estão a datação precisa e o contexto geológico bem definido, que permitem reconstruir uma sequência temporal consistente. Por outro lado, há limitações importantes: os dados vêm de um único local, o que pode não representar todo o país; além disso, as causas das mudanças são inferidas, e não diretamente testadas.

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/03/31/capsula-do-tempo-na-nova-zelandia-muda-o-que-se-sabia-sobre-evolucao-das-aves-entenda.ghtml


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