Homem da Meia-Noite desfila em Olinda com homenagem aos maracatus e à ancestralidade afro-brasileira
15/02/2026
(Foto: Reprodução) Homem da Meia-Noite desfila em Olinda com homenagem aos maracatus e à ancestralidade afro-brasileira
Quando as ladeiras se cobrem de verde e branco, o anúncio é dado: o Homem da Meia-Noite vai desfilar (veja vídeo acima). O bloco, que completou 94 anos em 2026, arrastou uma multidão pelas ruas do Sítio Histórico de Olinda na madrugada deste domingo (15).
A saída do calunga da sede do bloco, no bairro do Bonsucesso, aconteceu à 0h, mantendo a tradição que dá origem ao nome da agremiação. O percurso manteve o formato dos últimos anos com passagem por pontos centrais do Sítio Histórico (veja mais abaixo o roteiro).
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Neste ano, o tema do desfile do calunga é "Tambores Silenciosos", um tributo à ancestralidade afro-brasileira e à força dos maracatus, homenageando cinco ícones da cultura pernambucana: Mãe Beth de Oxum, Siba, Maciel Salú, Grupo Bongar e o Maracatu Nação Pernambuco.
Segundo os organizadores do bloco, o tema propõe um mergulho na espiritualidade e na simbologia da Noite dos Tambores Silenciosos, cerimônia de sincretismo religioso realizada na segunda-feira de carnaval, no Recife, que reverencia a memória dos ancestrais e o silêncio que antecede o toque dos tambores.
Homem da Meia-Noite desfila em Olinda com homenagem aos maracatus e à ancestralidade afro-brasileira
Reprodução/TV Globo
Espiritualidade
Um dos mistérios na noite do desfile é a roupa do calunga. O fraque foi mantido em local secreto até ser revelado neste domingo. A vestimenta trouxe referências à ancestralidade africana e à espiritualidade.
O figurino foi confeccionado com tecido furtacor, em tom de verde, e trouxe elementos como a palha, presente em detalhes do traje e nos botões em forma de espiral, que remetem à proteção e fazem referência ao amor ao candomblé.
Um espelho aplicado ao pescoço do calunga simboliza a divindade de Iemanjá, além de representar reflexão, autoavaliação e a busca pela verdade interior.
A gravata foi feita em veludo translúcido com pérolas. Já a cartola gigante, que compõe o estilo do Homem da Meia-Noite, foi apresentada em coletiva em outubro do ano passado. O acessório foi ornamentado em alusão a um tambor e com detalhes que remetem aos orixás.
O calunga levou ainda um terço confeccionado com búzios nas mãos e substituiu o tradicional lenço por um lírio em homenagem a Iemanjá.
A imagem de Nossa Senhora e pombas foram aplicadas ao figurino, simbolizando proteção, paz e união, além de guias que fazem referência a Exu, com flores em vermelho e preto, e a Iemanjá, com detalhes em azul e branco, em tons perolados.
As peças foram desenvolvidas pela estilista Haia Marak, designer e artista plástica de Olinda. O terno foi costurado pelo alfaiate e estilista Paulo Pinheiro. Foi da frente da casa de Haia, na Rua Treze de Maio, no Carmo, que, no dia 2 de fevereiro, data do aniversário do calunga, saiu um cortejo com tambores de nações de maracatu, levando a mala com a roupa que só foi revelada neste desfile.
Roupa do Homem da Meia-Noite trouxe referências à ancestralidade africana e à espiritualidade.
Reprodução/TV Globo
Confira o mapa do cortejo:
Homem da Meia-Noite
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