Justiça investiga se governador de Minnesota e prefeito de Minneapolis atrapalharam a aplicação das leis de imigração
17/01/2026
(Foto: Reprodução) Departamento de Justiça dos EUA abre investigação contra governador de Minnesota e prefeito de Minneápolis
O Departamento de Justiça está investigando se o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, impediram a aplicação das leis federais de imigração por meio de declarações públicas que fizeram, disseram na sexta-feira (16) duas pessoas familiarizadas com o assunto.
A investigação, que tanto Walz quanto Frey afirmaram ser uma tática de intimidação para ameaçar a oposição política, está focada em uma possível violação de uma lei sobre conspiração, segundo as fontes.
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As pessoas falaram à Associated Press sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a comentar publicamente uma investigação em andamento.
A CBS News divulgou a informação primeiro.
A investigação ocorre durante uma operação de repressão à imigração que já dura semanas em Minneapolis e St. Paul e que o Departamento de Segurança Interna descreveu como sua maior ação recente de fiscalização imigratória, resultando em mais de 2.500 prisões.
A operação tornou-se mais conflituosa após o assassinato de Renee Good em 7 de janeiro, com agentes retirando pessoas de carros e residências e sendo frequentemente confrontados por transeuntes irritados exigindo que deixassem o local. Autoridades estaduais e locais têm repetidamente pedido aos manifestantes que permaneçam pacíficos.
Em resposta às notícias sobre a investigação, Walz afirmou em comunicado: “Há dois dias foi Elissa Slotkin. Na semana passada, Jerome Powell. Antes disso, Mark Kelly. Instrumentalizar o sistema de Justiça e ameaçar adversários políticos é uma tática perigosa e autoritária.”
Os senadores dos EUA Kelly, do Arizona, e Slotkin, de Michigan, estão sob investigação do governo do presidente Donald Trump após aparecerem com outros parlamentares democratas em um vídeo incentivando membros das Forças Armadas a resistirem a “ordens ilegais”. O governo também abriu uma investigação criminal contra Powell, algo inédito para um presidente em exercício do Federal Reserve.
O gabinete de Walz disse que não recebeu qualquer notificação oficial sobre a investigação.
Frey descreveu a investigação como uma tentativa de intimidá-lo por “defender Minneapolis, nossas forças de segurança locais e nossos moradores contra o caos e o perigo que esta administração trouxe às nossas ruas”.
O gabinete do procurador dos EUA em Minneapolis não comentou de imediato.
Em uma publicação na rede social X após as reportagens sobre a investigação, a procuradora-geral Pam Bondi disse: “Um lembrete a todos em Minnesota: ninguém está acima da lei.” Ela não mencionou especificamente a investigação.
Pessoas protestam contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) após um agente de imigração dos EUA ter atirado e matado uma mulher de 37 anos dentro de seu carro em Minneapolis, Nova York, EUA
REUTERS/Angelina Katsanis TPX IMAGES OF THE DAY
Estado pede protestos pacíficos
Com mais protestos esperados neste fim de semana na região das Cidades Gêmeas, autoridades estaduais pediram que os manifestantes evitem confrontos.
“Embora a manifestação pacífica seja protegida, quaisquer ações que machuquem pessoas, destruam propriedades ou coloquem a segurança pública em risco não serão toleradas”, disse o comissário Bob Jacobson, do Departamento de Segurança Pública de Minnesota.
Os comentários vieram após Trump recuar um pouco da ameaça feita no dia anterior de invocar uma lei de 1807, o Ato de Insurreição, para enviar tropas a fim de reprimir manifestações.
“Não acho que haja motivo agora para usá-lo, mas se eu precisar, vou usar”, disse Trump a repórteres do lado de fora da Casa Branca.
Um juiz federal em Minnesota decidiu na sexta-feira que os agentes federais que atuam na operação de fiscalização na região de Minneapolis não podem deter nem usar gás lacrimogêneo contra manifestantes pacíficos que não estejam obstruindo as autoridades, inclusive quando apenas observam a atuação dos agentes.
O processo foi aberto antes do assassinato de Good, em nome de seis ativistas de Minnesota representados pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Minnesota.
Advogados do governo argumentaram que os agentes têm atuado dentro de sua autoridade legal para aplicar as leis de imigração e se proteger. Mas a ACLU afirmou que os agentes do governo estão violando os direitos constitucionais dos moradores da região.
Vai e vem na detenção
Um homem liberiano que foi levado repetidamente à custódia desde que agentes de imigração arrombaram sua porta com um aríete foi libertado novamente na sexta-feira, horas depois de uma visita de rotina às autoridades resultar em sua segunda prisão.
A primeira prisão dramática de Garrison Gibson, no fim de semana passado, foi registrada em vídeo. O juiz distrital dos EUA Jeffrey Bryan considerou a prisão ilegal na quinta-feira e o libertou, mas Gibson foi detido novamente na sexta-feira ao comparecer a um escritório de imigração.
Algumas horas depois, Gibson estava livre novamente, disse o advogado Marc Prokosch.
Gibson, de 37 anos, que fugiu da guerra civil em seu país natal, na África Ocidental, ainda criança, havia recebido ordem de deportação dos EUA, aparentemente por causa de uma condenação por drogas em 2008 que depois foi anulada. Ele permaneceu no país legalmente sob o que é conhecido como ordem de supervisão, segundo Prokosch, e vinha cumprindo a exigência de se apresentar regularmente às autoridades de imigração.
Na decisão de quinta-feira, o juiz concordou que as autoridades violaram regulamentos ao não dar aviso suficiente a Gibson de que seu status de supervisão havia sido revogado. Prokosch disse que foi informado pelo ICE de que agora eles estão “seguindo os trâmites adequados” para revogar a ordem.
Ligação para o 911: Good foi baleada “à queima-roupa”
Autoridades de Minneapolis divulgaram registros de despacho da polícia e dos bombeiros, além de transcrições de ligações para o 911 relacionadas ao assassinato de Good. Bombeiros encontraram o que parecia ser dois ferimentos por arma de fogo no lado direito do tórax, um no antebraço esquerdo e um possível ferimento na lateral esquerda da cabeça, segundo os registros.
“Eles atiraram nela, tipo, porque ela não abriu a porta do carro”, disse um dos autores da ligação. “À queima-roupa, dentro do carro.”
Good, de 37 anos, estava ao volante de seu Honda Pilot, que bloqueava parcialmente a rua. Um vídeo mostrou um agente se aproximando do SUV, exigindo que ela abrisse a porta e puxando a maçaneta.
Good começou a avançar com o veículo e virou o volante para a direita. Outro agente do ICE, Jonathan Ross, sacou a arma e atirou à curta distância, recuando enquanto o SUV passava por ele. O Departamento de Segurança Interna afirma que o agente atirou em legítima defesa.