Maior águia das Américas colide com caminhão, fica presa na cabine e é resgatada 100 km depois em RO
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Harpia: maior águia das Américas é resgatada após colidir com caminhão em RO
Uma harpia (Harpia-harpyja), conhecida também como gavião-real, considerada a maior águia das Américas, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros em um posto de combustível de Ariquemes (RO) na noite da última sexta-feira (31). A ave colidiu com um caminhão na BR-364 e ficou presa no veículo.
Segundo os bombeiros, o acidente aconteceu no município de Jaru (RO). A harpia bateu no para-brisa do caminhão e acabou ficando presa entre a cabine e a carroceria. O motorista não percebeu e seguiu viagem por cerca de 100 quilômetros até Ariquemes (RO). Só quando parou em um posto de combustível a ave foi descoberta, e os bombeiros foram chamados para realizar o resgate com segurança.
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A veterinária Karla Oliveira avaliou o animal e informou que se trata de um macho jovem adulto, com cerca de 3,8 quilos. A ave passou por exames e está recebendo os cuidados necessários. A especialista explicou que, apesar de ser imponente, a harpia também é vulnerável e pode ficar muito estressada em situações como essa.
Depois do atendimento inicial, a ave será encaminhada ao Projeto Harpia, da Secretaria de Meio Ambiente de Ariquemes, onde deve se recuperar. O estado de saúde não é grave e a expectativa é de que ele se recupere bem.
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Características e ciclo de vida da harpia
A harpia pode atingir até 2,20 metros de envergadura (distância entre as pontas das asas). Suas garras estão entre as mais poderosas entre as aves de rapina.
É uma espécie reclusa, que prefere matas fechadas e evita áreas abertas, o que torna sua observação rara. O ciclo de reprodução é lento: a fêmea costuma pôr dois ovos, mas geralmente apenas um filhote sobrevive. A incubação dura cerca de 56 dias, e o filhote depende dos pais por até dois anos. Por isso, a espécie se reproduz apenas a cada três anos.
Os ninhos são construídos no alto de árvores robustas, com mais de 40 metros de altura, em locais de difícil acesso. São grandes plataformas de galhos, revestidas com vegetação macia para proteger os filhotes.
Na caça, a harpia utiliza a estratégia da espera: permanece imóvel em pontos estratégicos até atacar suas presas. Também é capaz de voar com agilidade entre os galhos para persegui-las.
Importância ecológica e conservação
A harpia é classificada como “quase ameaçada” de extinção pelo ICMBio e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Em Mato Grosso do Sul, já aparece como “ameaçada”. O número de registros da espécie tem diminuído em todo o Brasil, principalmente devido ao desmatamento, à expansão das atividades humanas e à caça ilegal.
A presença da harpia em uma região indica que o ecossistema está saudável. Por necessitar de grandes áreas de floresta contínua — cerca de 20 a 35 km² por casal —, ela é considerada uma espécie-bandeira na conservação das matas tropicais. Como predadora, ajuda a controlar populações de mamíferos que vivem nas árvores, mantendo o equilíbrio ambiental.
Cada resgate e cada ninho encontrado fortalecem o monitoramento científico e as iniciativas de conservação da espécie, garantindo que esse guardião da floresta continue desempenhando seu papel essencial nos ecossistemas.
Harpia resgatada em Ariquemes (RO)
Reprodução
Harpia resgatada em Ariquemes (RO)
Reprodução
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