Mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e relógios de luxo são apreendidos em operação contra servidores da Fazenda de SP
26/03/2026
(Foto: Reprodução) MP faz operação contra fraudes na Fazenda
Ao menos 12 relógios de luxo, avaliados em R$ 1 milhão, e mais R$ 500 mil em espécie foram apreendidos nesta quinta-feira (26) durante a Operação Fisco Paralelo contra funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP),
O Ministério Público apura a existência de um esquema estruturado de corrupção destinado à manipulação indevida de créditos acumulados de ICMS no estado, com possível pagamento de vantagens ilícitas e crime de lavagem de dinheiro por parte de funcionários do governo paulista.
Ao todo, a operação são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Entre os alvos estão um condomínio de luxo em Tamboré e endereços no bairro de Moema, na capital paulista, onde há quatro alvos.
Segundo as investigações, 16 dos alvos são pessoas ligadas à Sefaz-SP, além de uma executiva de uma grande empresa.
Relógios de luxo são apreendidos durante operação que apura esquema de corrupção entre serviços da Fazenda.
Reprodução/MP-SP
De acordo com o Ministério Público, as diligências são realizadas em endereços vinculados a servidores lotados em cinco diferentes órgãos da Secretaria da Fazenda, da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos):
Delegacia Regional Tributária da Capital II (Lapa);
Delegacia Regional Tributária da Capital III (Butantã);
Delegacia Regional Tributária 12 (ABCD);
Delegacia Regional Tributária 14 (Osasco);
Diretoria de Fiscalização (DIFIS).
O g1 procurou a Sefaz-SP para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Cerca de R$ 500 mil foram apreendidos na operação Fisco Paralelo.
Montagem/g1/Reprodução/Ministério Público
Operação Ícaro
Dono da Ultrafarma é preso em operação em São Paulo
Essa nova operação do MP paulista é um desdobramento da Operação Ícaro, que investigou desvios de créditos envolvendo o caso Ultrafarma/Fast Shop, em agosto de 2025.
A nova fase teve início após o Ministério Público obter novas informações sobre novas irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda do governo paulista.
Na Operação Ícaro, os promotores do Gedec partiram do fiscal Artur Gomes da Silva Neto para chegar ao núcleo técnico da organização, coordenado por Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, que atuava como contadora do grupo. A partir do celular dela, a investigação foi ampliada.
Maria Herminia já está presa preventivamente em decorrência do esquema com o grupo Nortene, investigado na Operação Mágico de Oz, outra etapa da Operação Ícaro que investigou fraudes dentro da mesma secretaria.
Viatura da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), usada nas fiscalizações fazendárias.
Divulgação/GESP
Os promotores identificaram elementos que demonstram a captura de diversos órgãos da Secretaria Estadual da Fazenda de SP.
Os alvos da investigação ocupavam cargos como agente fiscal de renda, inspetor fiscal, coordenador e delegado regional tributário, distribuídos em unidades como as delegacias regionais tributárias da Lapa, do Butantã, do ABCD e de Osasco, na Grande SP.
Segundo o MP, a operação desta quinta (26) conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do CyberGaeco, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) e da Polícia Militar.
O objetivo é desarticular a organização criminosa e coletar documentos, mídias e outros elementos que contribuam para o avanço das investigações e a completa elucidação dos fatos.
CGE e MP de São Paulo fazem reunião sobre o caso Ultrafarma
Maria Hermínia de Jesus
Segundo o MP, o avanço da Operação Ícaro foi possível justamente em virtude da apreensão do celular da contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, que já tinha sido alvo da operação contra a Fastshop e a Ultrafarma. No curso das investigações, os promotores descobriram que, na verdade, ela tinha um papel muito mais importante do que se imaginava até aqui na organização criminosa liderada pelo fiscal Artur Gomes da Silva Neto.
O MP diz que ela é o elo com a ampla rede de fiscais corruptos da Fazenda - do Fisco estadual - alvos da nova operação desta quinta (26).
Dos 20 dos 22 alvos de mandados de busca da 'Operação Fisco Paralelo' são ligados a esses fiscais corruptos. Por esse motivo, tantas Delegacias Regionais Tributárias são alvos do MP.
Artur Gomes da Silva Neto é exonerado do cargo de auditor fiscal
Reprodução
Os crimes investigados são, dentro outros, organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva.
Não há cálculo fechado ainda do prejuízo estimado. Mas é imenso, na conta dos promotores paulistas. O esquema é maior do que se vislumbrou lá na Ícaro, onde se falava em desvios na casa de R$ 1 bilhão.
CGE e MP de São Paulo fazem reunião sobre o caso Ultrafarma