Padre viraliza ao relatar desafios por autismo, na PB: 'Missa, assim como o mundo, não foi feita para autistas'

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
Padre viraliza ao falar sobre diagnóstico de TEA e dificuldades na missa, na Paraíba O padre Rodrigo Trindade, da Diocese de Patos, no Sertão da Paraíba, viralizou nas redes sociais ao compartilhar o processo de diagnóstico e os desafios pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante uma audiência pública na Câmara Municipal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp A sessão foi realizada em 27 de abril e era voltada justamente para discutir as questões que envolvem o autismo, e acabou ganhando repercussão nas redes sociais com trechos da fala do clérigo, com comentários de pessoas e apoio ao padre. O padre destacou a dificuldade que pessoas diagnosticadas, como ele, enfrentam em diversas áreas, assim como na Igreja. "Porque eu olho para aquelas crianças e na minha paróquia nós conhecemos algumas que são autistas, e eu penso, eu sei que a missa, assim como o mundo não foi feita para elas, o mundo não foi feito para os autistas. O mundo foi feito para os neurotípicos", ressaltou. Padre viraliza ao relatar desafios por autismo, na PB Youtube/Câmara Municipal de Patos Um outro aspecto comentado por ele foi quando compartilhou as próprias dificuldades que enfrenta ao celebrar missas. Ele exemplificou que algumas crianças fazem brincadeiras durante as missas, o que costuma ser um fator dificultante para ele. Ao pensar nessas crianças, ele disse também se colocar no lugar delas, porque um dia quando os familiares o levavam à missa, ele costumava fazer brincadeiras também. "Se o mundo muitas vezes não compreende, não ajuda, não dá suporte, aqui, na minha missa eu não posso fazer muita coisa, mas também brigar eu não vou, não. E eu digo às mães, aos pais, 'deixa se quebrar alguma coisa vocês aumentam o dízimo'. Nunca nenhuma quebrou nada. Eu gosto de usar umas lamparinas, quem quebrou duas lamparinas foi gente adulta", disse. O padre ressaltou também que durante as missas, quando eventualmente alguém que o ajuda nas leituras litúrgicas traz um livro de cabeça para baixo, ele não consegue dizer para corrigir e colocar o livro de uma forma que seja possível ler. Ele tenta ler mesmo de cabeça para baixo. "Por isso eu digo que todo autista tem algum algum nível de não verbalidade. Um silêncio involuntário. Se a luz estiver forte demais e o coroinha traz o ritual de cabeça para baixo, eu não consigo dizer para o menino 'vira esse livro que eu não estou vendo', Eu vou tentar ler de cabeça para baixo", explicou. Rodrigo Trindade atualmente tem 40 anos e foi diagnosticado com autismo há cerca de três anos, já na vida adulta. O processo de diagnóstico foi feito com acompanhamento de profissionais. Ele disse que o sentimento de inadequação é muito grande e que precisa "se justificar" para as pessoas sobre a condição. "Eu chamo de meus irmãos de espectro que precisam de bem mais suporte do que e eu olho para eles e penso, é difícil para eles. É difícil para eles. É severo para eles. Mas tem uma coisa que eles não enfrentam. Eles não precisam justificar que são autistas. Eu tenho que justificar, para poder ser aceito", disse. O padre, durante a audiência na Câmara Municipal estava com o cordão de identificação de pessoas autistas e também ressaltou que utiliza o objeto corriqueiramente, assim como estava naquela oportunidade. A aceitação do diagnóstico O padre relatou que o processo até o diagnóstico de autismo foi longo e marcado por dúvidas, deslocamentos e desgaste emocional, inclusive de pessoas próximas. Segundo ele, a investigação começou após dois anos de acompanhamento psicológico. "Por trás de quem aparentemente dá conta de tudo existe muita dor. A invalidação de um diagnóstico por seus amigos, por seus familiares, por seus irmãos de vocação. Sem contar a invalidação da sociedade. Imagina se eu chego hoje, e às vezes eu chego com o crachá assim (crachá com a indicação de que é autista) e peço para ter preferência numa fila (...) 'o padre está passando na frente, agora os padres têm prioridade, é?' Não, o padre não tem prioridade em coisa nenhuma. Eu tenho outra prioridade. Enfrentar essa invalidação é terrível", relatou. Também foi relatado que ele chegou ao conhecimento de ter autismo após receber acompanhamento psicológico com uma profissional da área. Ele explica o passo a passo pelo qual passou até receber o diagnóstico. “Depois de dois anos de terapia, a psicóloga suspeitou. Aí encaminhou para o neuropsicólogo. Foram muitos testes, muitas sessões, muito cansaço”, contou. Ao todo, ele passou por dez sessões em João Pessoa, precisando sair de madrugada da cidade onde mora para conseguir retornar a tempo de celebrar as missas das quintas-feiras. O religioso afirmou que buscou a avaliação especializada para entender melhor os sinais apontados durante a terapia, mas revelou dificuldade em aceitar o resultado. “Depois ele me entrega um laudo que eu não aceitei. Eu fui querendo que não fosse. A gente tem que aguentar que digam que se vai atrás de regalias e benesses, atrás de laudo fácil. Machuca isso”, afirmou. Durante o relato, o padre também falou sobre o impacto emocional provocado pelo preconceito em torno do diagnóstico. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/05/07/padre-viraliza-ao-relatar-desafios-por-autismo-na-pb-missa-assim-como-o-mundo-nao-foi-feita-para-autistas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes