Testemunha contesta versão apresentada por mulher que acusa ministro do STJ Marco Buzzi de importunação sexual
10/02/2026
(Foto: Reprodução) STJ afasta ministro suspeito de importunação sexual
Um homem registrou declarações em cartório envolvendo a denúncia de importunação sexual feita por uma mulher de 18 anos contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi. No relato, ele disse que estava na praia em Balneário Camboriú (SC) no dia do suposto crime e que não percebeu sinal de constrangimento no local. Afirmou que o ministro tem dificuldade de locomoção e que precisa de ajuda para sair do mar.
A declaração foi feita na segunda-feira (9), e registrada em um cartório de Blumenau (SC), onde a testemunha mora, a cerca de 40 quilômetros de Balneário Camboriú. Buzzi tem 68 anos, nega as acusações e apresentou licença médica por 90 dias. O STJ decidiu afastá-lo do órgão.
O relato foi divulgado no blog Painel, Folha de São Paulo, na segunda, e obtido pelo g1 nesta terça-feira (10). Segundo a publicação, o autor do relato é Amauri Alberto Buzzi, primo do ministro. A coluna da Folha também menciona o depoimento de uma vizinha do ministro, ao qual o g1 não teve acesso.
A reportagem também não conseguiu contato com Amauri.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
➡️ Relato em cartório tem valor na justiça: O registro de relatos em cartório pode ser feito e possui alto valor como prova documental, segundo Márcio Machado Valencio. Especialista em Direito Penal, o advogado afirmou que a ação é instrumento de fixação de prova que transforma relato particular em um documento, que também pode servir como base para investigação.
O que disse a testemunha
No documento, Amauri disse estar com a esposa em um guarda-sol próximo ao mar, na Praia do Estaleirinho, em 9 de janeiro, por volta das 12h. O casal estava na companhia do ministro, da mulher que denunciou o magistrado e a mãe dela.
Em certo momento, ao voltar da água, Amauri afirmou que cruzou com o ministro e a jovem, que caminhavam até o mar e permaneceram no local por algum tempo.
"que Marco é deficiente físico e tem severas dificuldades de locomoção, e que precisa de ajuda para sair do mar; que não viu nenhum sinal de constrangimento; que a água na Praia do Estaleiro logo no início não dá pé; que a praia estava muito movimentada no dia; que não existe ponto na praia que seja isolado; que após sair da água, a filha de [nome da mãe da denunciante] caminhou tranquilamente até sua mãe, que se encontrava no guarda-sol", disse Amauri no documento.
Ministro do STJ Marco Buzzi
Luiz Silveira/Agência CNJ
Denúncia feita por mulher de 18 anos
O caso da jovem de 18 anos foi revelado pelo site da revista “Veja” na manhã de quarta (4) e confirmado pelo g1 e pela TV Globo. As investigações tramitam em sigilo e a identidade da jovem é preservada.
O blog de Andréia Sadi teve acesso ao depoimento da jovem, feito 14 de janeiro à Polícia Civil de São Paulo. No relato, ela disse que o assédio ocorreu em uma viagem à casa de praia do ministro. Buzzi teria levado a jovem para uma área afastada da praia para entrarem no mar por estar “mais tranquilo”.
No mar, ela afirmou que o ministro passou a se aproximar fisicamente e comentou, ao ver pessoas próximas: “deve ser por isso que eles estão abraçados”, ao dizer que estava sentindo frio. Ainda segundo o depoimento, ele teria a virado de costas e pressionado seu corpo contra o dele.
No momento, ainda conforme a vítima, Buzzi falou que a achava “muito bonita” e tocou as suas nádegas.
Blog Andréia Sadi: Jovem disse que ministro passou mão em suas nádegas
Segunda denúncia
Além do caso em Santa Catarina, uma nova denúncia contra Buzzi foi feita ao Conselho Nacional de Justiça na segunda. Neste caso, a mulher já prestou depoimento à Corregedoria do órgão e os detalhes sobre quem seria a mulher e as circunstâncias da conduta estão mantidos sob sigilo.
CNJ recebe nova denúncia contra ministro do STJ
Quem é Marco Buzzi
Marco Aurélio Gastaldi Buzzi é ministro do STJ desde setembro de 2011. Ele foi nomeado para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Paulo Medina, que teve aposentadoria compulsória decretada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Natural de Timbó, em Santa Catarina, Buzzi é mestre em Ciência Jurídica, com especialização em Gestão e Controle do Setor Público, Direito do Consumo e em Instituições Jurídico-Políticas.
O que disse Buzzi
"Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal, soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instaurados demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido à dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço àqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos."
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias