VÍDEO: de paraíso de águas cristalinas a guardiã de 'mundo perdido': onde vivem as maiores cobras do Brasil
31/12/2025
(Foto: Reprodução) Paraíso de águas cristalinas: onde vivem as maiores cobras do Brasil
Mato Grosso do Sul chamou a atenção do Brasil em 2025 ao concentrar alguns dos registros mais impressionantes de sucuris, consideradas as maiores serpentes do país. De rios de águas cristalinas em áreas turísticas a uma cratera isolada, passando por comunidades rurais preservadas, o estado reúne ambientes onde essas cobras encontram condições ideais para viver e surpreender. Veja o vídeo acima.
Os casos envolvem animais com mais de seis metros de comprimento, avistamentos frequentes e até uma sucuri que vive isolada em uma dolina, formação rochosa considerada um verdadeiro “mundo perdido”. Especialistas apontam que a preservação ambiental é o principal fator por trás desses encontros raros.
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Segundo o biólogo Henrique Abrahão Charles, a região funciona como um verdadeiro berçário de sucuris, graças à preservação da vegetação, à grande oferta de água e à diversidade de fauna.
Bonito: águas cristalinas e berço das maiores sucuris
Conhecida pelas paisagens paradisíacas, Bonito, no sudoeste do estado, se destaca pelo grande número de avistamentos de sucuris. O município foi o lar de uma das maiores já registradas por cientistas no Brasil.
A fêmea, conhecida como Ana Júlia, media 6,45 metros, pesava cerca de 200 quilos e foi encontrada morta em março de 2024, no Rio Formoso.
Segundo o biólogo e especialista em serpentes Henrique Abrahão Charles, a presença desses animais é consequência direta das características naturais da região.
"As sucuris são avistadas constantemente em Bonito porque é uma área preservada, com abundância de alimento e grande diversidade de animais."
Outro fator decisivo é a transparência da água. O solo rico em calcário torna os rios extremamente claros, o que facilita a visualização das cobras durante passeios turísticos.
Preservação explica os encontros frequentes
As sucuris desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental, ajudando a controlar populações de outros animais. Sem esses predadores, o ecossistema da região ficaria desequilibrado.
De acordo com especialistas, os avistamentos aumentam na estação seca, entre maio e setembro, quando os rios ficam mais rasos e ainda mais transparentes. Nessa época, as cobras também costumam ficar visíveis em trechos próximos às margens.
A sucuri que vive isolada em um buraco milenar
Sucuris avistadas em Mato Grosso do Sul.
Redes sociais/ Reprodução
Em Jardim, um dos registros mais intrigantes envolve uma sucuri gigante que vive no Buraco das Araras, uma formação rochosa com cerca de 300 mil anos e mais de 100 metros de profundidade.
A serpente foi vista pela primeira vez em 2017, quando um turista percebeu, com um binóculo, que um suposto tronco se movia dentro da cratera. Desde então, os avistamentos são raros.
A chegada da cobra ao local é um mistério. Guias acreditam que ela possa ter sido levada por uma enxurrada durante uma forte chuva e acabou presa na dolina.
Por se tratar de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a entrada no buraco é proibida. Segundo especialistas, o isolamento não é incomum, já que as sucuris têm hábitos solitários e só se aproximam de outras durante o período reprodutivo.
O “rei das sucuris” e o berço das serpentes
No município de Jateí, o pescador e influenciador Rafael Gandine, de 38 anos, ficou conhecido nas redes sociais após registrar mais de 100 encontros com sucuris. Morador do assentamento Gleba Nova Esperança, ele soma mais de 1 milhão de seguidores mostrando a rotina em meio à natureza.
Em um dos encontros, Rafael sofreu uma rara mordida ao pisar sem perceber em uma cobra durante uma pescaria. Ele recebeu atendimento médico e se recuperou bem.
Especialistas explicam que mordidas são extremamente raras e ocorrem apenas como defesa.
Mitos e verdades sobre as sucuris
Pesquisadores reforçam alguns pontos importantes sobre a espécie:
Sucuris não atacam humanos e evitam contato;
Relatos de cobras com mais de 10 metros são exagerados;
São semiaquáticas e passam a maior parte do tempo na água;
Quando ameaçadas, preferem fugir, principalmente para rios e lagos.
A presença desses animais é um indicativo de ambientes bem preservados. Onde há sucuris, há equilíbrio ecológico.
As sucuris são consideradas as maiores serpentes do Brasil.
Redes sociais/ Reprodução
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