Zema rejeita medidas de segurança de Bukele e defende intervenção federal no Rio: ‘Vai ter de ter um acompanhamento para sempre’
06/08/2026
(Foto: Reprodução) Romeu Zema (Novo) responde sobre segurança
O candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu, em sabatina promovida pelo g1 e GloboNews nesta quarta-feira (06), uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e afirmou que a atuação precisaria ser acompanhada de forma permanente.
Questionado sobre o que faria de diferente das intervenções anteriores, Zema respondeu: “Tudo. Por exemplo, com a intervenção que teve aqui, como eu falei, é igual alguém que está fazendo um tratamento de câncer, que faz rádio e quimioterapia por seis meses e acha que está curado. Vai ter de ter um acompanhamento para sempre.”
Segundo o ex-governador de Minas Gerais, uma nova ação teria de durar até que as facções deixassem de controlar territórios no estado. Ele citou um período de dez, 15 ou 20 anos e afirmou que o governo federal daria “todo o apoio” ao Rio de Janeiro.
O candidato não informou quando decretaria a intervenção caso fosse eleito. Disse que a medida seria discutida com o novo governador e com o prefeito, além de especialistas e representantes da sociedade civil.
“Será algo tratado com o novo governador, com a anuência do novo governador e do prefeito. Tenho certeza de que eles vão querer. Isso vai ser feito a quatro mãos, com especialistas e com a sociedade civil”, declarou.
Zema citou a situação da Light para justificar a retomada de áreas controladas por organizações criminosas. Segundo ele, um executivo afirmou que 52% da energia fornecida pela companhia não é paga e que o crime organizado arrecada R$ 1 bilhão por ano.
“Enquanto não tiver retomada dos territórios, o crime organizado está recebendo R$ 1 bilhão por ano e se expandindo”, afirmou
Inspiração em Bukele
Romeu Zema é entrevistado pelo g1 e pela GloboNews
Foto g1
Zema também disse que se inspira no modelo de segurança adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Questionado, porém, sobre medidas implementadas no país, ele rejeitou prisões sem mandado, ampliação do período de detenção sem ordem judicial, restrições ao habeas corpus e ao acesso a advogados, julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, local de residência ou tatuagens.
Ao explicar o que pretende aproveitar do modelo salvadorenho, o candidato afirmou que quer elevar o “custo do crime”, retomar áreas controladas por facções e ampliar o sistema prisional.
“Hoje, o custo do crime no Brasil está aqui no chão. Está valendo a pena ser criminoso no Brasil. Vamos construir mais presídios. Tem muito bandido solto no Brasil infernizando a vida de quem trabalha”, declarou.
Zema também propôs mudar a legislação para permitir a prisão preventiva de pessoas que acumulem determinado número de ocorrências, mesmo antes do julgamento. Ele citou a terceira ocorrência como possibilidade, mas afirmou que o limite seria discutido com especialistas em segurança pública.
“Nós vamos mudar a legislação. Teve a terceira ocorrência, já vai ter uma prisão preventiva. Se três é pouco, quem sabe quatro, quem sabe cinco. Isso vai ser discutido. Eu quero especialistas em segurança pública discutindo essas questões”, disse.
O candidato prometeu ainda enquadrar facções e organizações criminosas como terroristas. Segundo ele, a mudança permitiria mobilizar Forças Armadas, Polícia Federal, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no combate aos grupos.
“Eu vou primeiro retomar todos os territórios. Isso é que dá sustento para as facções e organizações criminosas. Nós vamos iniciar um combate como nunca se teve no Brasil”, afirmou.